Sábado a tarde fiquei de bobeira. A jaca da noite anterior estava pesando. Fiquei enrolando no albergue até a hora do almoço, que na España é depois das 14h. Deu um rolê pelo centro e já era hora de rumar para o Parc del Forum.


Terceira noite do festival:
O último dia de Parc del Forum começou pelo auditório novamente, para o show do
Jonathan Richman. Já sou fa dos
Modern Lovers a algum tempo, entao estava ansioso. Mas ao invés do roquezinho singelo dos Modern Lovers, o que assisti foi o show de um trovador espanhol. Esta é a encarnaçao mais recente do Richman.
Apenas com um violao e acompanhado de um baterista, ele cantou muitas músicas de sua carreira solo em versoes em espanhol, dançou e fez muita pose. Ñao poderia esperar muito de um coroa breaco em cima do palco. Até que o show foi divertido. A decepçao foi ñao ouvir sequer uma cançao dos Modern Lovers.

Direto para o palco Estrela Damm. Onde tocava o
The Long Blondes numa deliciosa tarde de sol. Assisti a parte do show sentado no gramado. A banda faz um rock com enfluencias obvias do glam rock e anos 80, com uma pegada legal, ñao muito chiclete.

Mas estava mais curioso para ver o
Durutti Column. Connhecia o seu album clássico "The Return of the Durutti Column" que é um primor de rock experimental. Sem ser cabeça, faz belas músicas instrumentais com guitarras e teclados. E digo que em quase trinta anos de carreira o som de sua guitarra ñao mudou nada. Grande show para um fim de tarde, que reuniu o público mas maduro do festival.

Na seqüencia corri para ver o
Architecture in Helsinki desde o começo. E que grande banda POP sao esses. Tem tudo para estourar. Lembram um pouco B-52 e Talking Heads, mas as cançoes sao muita mais bem elaboradas, com diferentes instrumentos e vocais e mudanças repentinas na dinamicas nas músicas. A banda tem 6 membros que se alternam toda hora entre os instrumentos. Vale muito a pena conferir !
Logo depois teve a
Patti Smith. Grande figura essa mulher !! Reuniu um boa banda para tocar um rock sonoridade clássica. Ñao gostei tanto das versoes que fez no seu último para musicas como "Guimme Shelter" e "Smells like teen spirit". Mas sai do chao quando tocou"Gloria".
Depois dessa fui assistir sentadinho ao show do
The Good, The Bad and The Queen. Essa é a nova banda do Damon Albarn (Blur, Gorillaz) e do Paul Simonon (The Clash). Eles fazem um som super bem produzido, uma espécie de pop-rock adulto moderno. Infelizmente foi meio complicado assistir ao show pois tocaram no palco mais central do festival, do qual se podia ouvir o som dos outros palcos. Como shom do The Good(...) é menos barulhento, com piano e quarteto de cordas(além dos tradicionais guitarra-baixo-bateria), a coisa ficou muito embaralhada...

Bom, o próximo show era o mais aguardado por mim. Merece até uma breve introduçao. Em 1995 comprei o CD "Daydream Nation" do
Sonic Youth numa loja de discos (que existe até hoje) no Conj. Nacional, na Av. Paulista. Havia um lote inteiro do disco a venda em uma cesta de descontos por R$8,00, pois deveria estar encalhado. Naquela época eu era um adolescente que gostava de Queen e Heavy Metal. Tudo que conhecia d Sonic Youth era a musica "Sugar Cane" (que tocava nas radios 97rock e Brasil2000) e o clipe da música "Bull in the Heather" (que passava na MTV). Assim, foi a partir desse disco que me interessei pelo tal de rock alternativo.

Tudo isso para dizer que tive a honra de estar presente no show que abriu a temporada em que a banda irá tocar este disco clássico, na íntegra. Bem ao estilo "Pulse" do Pink Floyd. Talvez nem tanto assim, pois diferente do Pink Floyd, neste show o Sonic Youth interpretou ou invés de mimetizar seu grande clássico.
Mesmo sendo um grande show, dava para perceber um certo desconforto com a proposta do show. Como se fosse uma provaçao, em alguns momentos pareceu que eles estavam fazendo aquilo mais por que deveriam do que porquê estariam entusiasmados com a idéia. Prova disso foi a parte do show dedicada ao disco ñao durou mais do que a duraçao do próprio. mMas logo voltaram para um longo bis onde só tocaram músicas "do século XXI". Nesta parte do show a banda demonstrou toda a empolgaçao que os fas queriam ver. Assim, o saldo foi altamente positivo. Eles continuam sendo a maior banda de rock alternativo de todos os tempos.
Depois dessa paulada ainda consegui pegar um trecho do
Buzzcocks. Sem sombra de dúvida é uma das grandes bandas de punk rock ainda em atividade. Deu para acompanhar clássicos como "Why can't I touch it?" e "Noise annoys". Mas me faltou a energia que esse show exigia.

Entao foi procurar algo mais calmo e encontrei
Múm. Posso afirmar que a Islândia é mesmo uma terra de fadas, pois a Björk ñao é a única. As vocalistas dessa banda vem da mesma terra. Qualquer descriçao dessa banda pode faze-la parecer com Sigur Rós. Mas onde o Sigur Rós deixa melancolia, Múm transforma em suave alegria com pequenos toques de pop barroco e elementos eletrônicos.

Para encerrar os dias de Parc del Forum, o show da banda "surpresa da temporada",
Battles, que coincidiria com o Sonic Youth, foi tranferido para o final da madrugada, na vaga deixada pelos Klaxons (acho que ninguem sentiu falta desses).
Putz, chamaram de math-rock, talvez seria como se mas músicas dessa banda funcionassem com uma equaçao de segundo grau, que de cada batida houvesse outra batido como produto. Os caras tocam muito rápido um som que ao mesmo tempo é cabeçudo, experimental e swingado. O guitarrista toca voltado para os seus pedais, o vocalista com seus sintetizadores e o baterista para a sua frenesi, e mesmo assim o som tem conjunto: eles realmente soam como uma banda de matemáticos que tomaram ácido e agora só vêem fractais.
